QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS
E depois de tanto tempo, você me vem, me chega e me fala, me conta de você. Me conta das tuas dores, que já nem sei bem ao certo se são essas mesmas ou tantas outras, mas que por certo te doem tanto quanto. Fico muda, te ouço sem saber o que dizer. Mas, ainda que eu soubesse, naquela hora, você não iria me ouvir. Você falava, jorrava palavras de uma vez , como se nelas conseguisse se expulsar, expelir toda dor. E, depois de dias, aqui estou! Tentando te falar o que na hora não soube dizer, não que eu saiba agora, ainda não sei! Mas, te escrevo, sem saber ao certo se as palavras são para você ou para mim... Sabe, você me vem à mente, e a todo instante te ouço de novo. Te vejo me dizendo novamente que já não conseguiria me olhar nos olhos. Você se diz perdido e eu não me acho. Porque quando você some de si mesmo, eu me ausento de nós dois. Porque quanto mais tento te reter mais me escapo. Porque quanto menos as lágrimas são possíveis mais te sinto doer irreversível dentro de mim. Porque te sinto num labirinto e o início já não é fácil, como naquela carta de Caio em que ele diz: “Procuro o fio, há só a meada” e se pergunta onde será que tudo começa. E, me pergunto, e te pergunto: onde será que tudo se perdeu? Mais uma vez o fio nos escapa, e tudo que há é esse pulsar das coisas, da vida que não pára, e algo vai se desprendendo da gente, como se deixássemos de existir. Como se a parte mais bonita tivesse toda ficado para trás. E, eu fico aqui tentando encontrar as palavras certas, maneiras possíveis de te falar e de te mostrar que o caminho continua lá, e é sempre possível que você se receba de volta... Procuro o jeito não encontro a forma. Queria agora te falar de paz, força e fé. Te entregar sonhos, milagres e flores. Te (re)compor em versos, poesias e rimas. Mas, se tudo posso porque acredito, nada seria suficiente porque você agora não. Porque o que te sobra agora é só a falta de si mesmo. O fio da tua crença se solta a todo momento, no meio daquilo que pensa estar perdido (Cris...)
- Postado por: Cris ® às 19h36 [ ] [ envie esta mensagem ]
Silêncios se rompem, mas palavras não alcançam. Nem silêncios, nem palavras, já não dizem nada (não abraçam). Ele não se permite o olhar dela. Ela já não procura o dele... Ele fala sem ouvir. Ela talvez já não esteja ali. Não quando já não se importa - Postado por: Cris ® às 18h04 [ ] [ envie esta mensagem ] SILÊNCIOS DE UMA TEMPESTADE
Um dia frio, um céu perdido em cinza(s). Fora: o vento! Incessante, cortando! Dentro: um algo que não defino! E que, no entanto, corta igual! Talvez um vazio, talvez uma espera que já não espera, talvez uma tristeza que já não consegue chorar, talvez uma dor que já nem sabe como sangrar. Há uma lágrima querendo acontecer, mas não encontra um jeito ( peito segura a chuva, coração contém a explosão!). Ponto-de- fuga-cego, a mesma música ainda, os mesmos erros também! Mas, tudo parece meio bobo agora. Quando o céu desaba silencioso não há como questionar tempestades. Não questiono nada então, deixo de procurar “teus sinais”, não me confundo mais. Deixo tudo como está. Fica tudo certo na aparente quietude de teus medos. Tudo previsto e ensaiado. Talvez se contente assim! Não eu! Não me satisfaço com essa coisa morna. Amor que desperdiça afetos, segredos impedindo o gesto, adiando o olhar. Dor pra mim tem que sangrar! Amor só serve se arder!. Porque amor por vezes dói, e têm horas que dói muito, aí não tem jeito, há de se deixar sangrar... Dói pela gente, muito mais pelo outro. Não dá pra simplesmente calar... Por isso, hoje eu saio!A porta permanece aberta, contudo não vou entrar (é saindo que estou...). A distância é a mesma, sempre foi e eu “estive o tempo todo aqui”, e não vou dizer que “só você não viu”, porque sei que viu, notou e quis, maaaaas... É... Tem sempre um mas. Estou farta de mas! Não quero mas. É o mais que quero! Não menos, não mas, MAIS! Complexo? Não! Simples assim! É chegada a hora de esvaziar-me além do vazio(esvaziar-me além de mim mesma), deixar de lado o que me tornei pra voltar a ser o que sempre fui. Preciso me sentir de novo, sangrar minhas dores, doer inteira até o fim. Preciso partir, enfim... Não de você! De mim! (Porque já não sangro e o sentimento é estranho...). Abandono-me então! Não abandono o sonho, tampouco você! Deixo-me perder nesse instante, pra quem sabe um dia me encontrar inteira de novo ! Sigo! Não sei bem por onde, ainda não diviso o caminho, pode ser que eu volte(só não sei quando, nem como, nem se...)! Por agora apenas vou. E juro. Sem olhar pra trás! “ Por hoje não”! Ao menos hoje não vou olhar pra trás...
(Cris...) “Quem sabe isso passe Sendo eu tão inconstante... Quem sabe eu volte cedo ou Não volte mais...” (Ana Carolina)
- Postado por: Cris ® às 19h25 [ ] [ envie esta mensagem ]
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