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Beijar teus olhos, olhar tua boca....

"Toda vez que te olho crio um romance"

Cris...®


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Um silêncio outro

História alguma pra contar...

 

 

 

 

 

Ando calada. Tanto ainda por contar, mas nada sai. Um grito mudo na garganta, tempestade silenciosa dentro do peito... Palavras somem numa ausência... Leio um conto de Caio Fernando de Abreu (incrível, e pra você vai parecer repetitivo, que seja! Mas, no meu mais profundo silêncio é sempre ele que procuro, é sempre nele que me escuto...). Repito-me então! Sempre, sempre e sempre! E leio, e leio, e leio... e quanto mais o leio mais me sinto... Cada frase, cada palavra me toma de forma avassaladora. Alguns de seus textos poderiam não me dizer nada, mas sempre dizem... Algo sempre me toca (e toca fundo...) Por vezes, prendo-me mais nos trechos que no todo, e não raro, o simples título fala inteiro para mim. Como esse: “Uma história de borboletas”, e o trecho: “Tudo é natural, basta não teres medos excessivos, trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas”... E eu aqui, tentando arrancar algo desse teu silêncio covarde (excesso dos teus medos...), tentando encontrar asas onde o azul já se perdeu há muito tempo. E querendo! Querendo muito ter uma história pra contar. Queria uma história agora ( a nossa...), uma história de borboletas, mesmo que já não houvesse borboleta alguma ( mas há, só não sei ao certo em qual momento ela abandonou sua própria história...). Há ainda tanto por dizer, tudo por acontecer, e uma história que não termina, e que, no entanto, já não sei contar... É que existem coisas que palavras não contam (o silêncio já foi mais preciso, não hoje!). Quando o olhar cala e borboletas não vê(e)m, o amor não encontra a fala, desaprende o gesto. Alturas não bastam e não há asas pro azul. Quando o gesto falta, sobram silêncios... E já não são os mesmos! São apenas silêncios, e só...

 

(Tantos silêncios já não contam nossa história)

 

(Cris...)

 



- Postado por: Cris ® às 19h31
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O verão de um outono cinza

 

Foi de repente, sabe esses acasos que de tão anunciados acontecem assim quando menos se espera? Pois é, foi assim... Depois de todas as buscas, depois de todas as primaveras, outonos e invernos, nessa ordem? Eu poderia dizer que “não necessariamente”, mas isso seria óbvio demais. Sem problemas, sou óbvia também... Mas, a verdade é que não sei, nada sei da tal “ordem” das coisas, confesso que me atrapalho toda com seqüências e formas de. Nunca começo pelo início e não raras vezes me perco no meio de um fim... Mas, eu estou fugindo do assunto. Falava da espera. Não! Falava da falta dela... da busca incessante, que abruptamente cessa (sem que ao menos se perceba) no meio de um nada e atravessa folhas, flores, cinzas e ventos...  e pode ser nessa ordem mesmo.  Se você quiser. Ou não... É, mas tem o verão, ainda não falei dele. É que ele tinha o momento exato de acontecer. E aconteceu... Aconteceu exatamente naquela hora boba em que ela distraída não esperava mais nada, ou algo assim muito parecido com um nada, sabe?... Um nada de saudade, um nada de medo. Um nada de verdade ou de afetos, de segredos ou apegos. Um nada de mágoas ou de espinhos. Um nada de flores ou dores, sonhos ou abismos. Um nada que ferisse, um nada que fechasse, um nada que esperasse, um nada que sangrasse, um nada que mentisse ou cantasse, partisse ou calasse, um nada que rodasse ou escapasse, um nada que mexesse ou encantasse, um nada de silêncio ou arrepio, um nada de mistério,um nada de sério, um nada de graça,  um nada de errado, um nada sentido, um nada perdoado... um nada de sol, um nada de frio... Um nada de nada no meio de um tudo que lhe sorriu num de repente mais que esperado... E  bem ali,  no centro de um nada, no dentro mais fundo de uma “tarde lenta”, nos ombros de um outono morno, no in-verso de um inverno tolo,  numa primavera-brisa-promessa

Foi que ela aconteceu de novo nos lábios dele...

 

(Numa tarde de outono de um verão mais-que-perfeito...!)

 

(Cris...)

 



- Postado por: Cris ® às 13h28
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Ando perdida... Novidade nenhuma, os que me conhecem sabem que vivo perdida. É fato! Sou mesmo assim. Para falar a verdade acho que já nasci perdida, sem rumo. Acho que já nasci questionando tudo, sempre fui a menina dos “por quês”. Sempre tentando encontrar respostas, mesmo quando já havia desistido das perguntas, mesmo quando ainda nem havia perguntas... Tantas vezes antecipo-me em respostas, para as quais ainda nem existem perguntas, me derramo antes da chuva... Antevejo a estrada, e quase sempre sei onde ela vai dar, e não raras vezes, me perco no meio daquilo que eu já sabia, mas não queria. E, quando me (pres)sinto assim, recuo! Repito-me! Talvez eu saiba exatamente o que fazer para mudar isso, só não sei se quero. Entre o “saber” e o “fazer” há muita coisa no meio, muito a ser reconhecido e descartado. Acho mesmo que a grande verdade é que não quero me libertar de velhas amarras, ainda que o nó esteja tão frouxo... Tenho dificuldade em descartar. Simplesmente não consigo, e mesmo sabendo o que fazer, não faço! Isso deve ser um vício, só pode! Viver perdida, seguir pelos mesmos caminhos, se machucar nos mesmos espinhos, tentar conter abismos que não criei, justificar erros que não são meus (não que eu não os tenha, tenho muitos e pago o preço pelo processo de repetição em que me encontro). Me pego sentindo saudades do que nunca existiu, tentando mudar o que poderia ter sido. Me vejo tentando ler um silêncio que já não diz nada, esperando um gesto onde agora nem mesmo as palavras existem...  Me decepciono e não aprendo, fico ainda tentando entender os porquês. E de tantos “porquês”, constato e me perco, pra não ter que admitir que tudo não passou de um engano...

(Cris...)

 

“Não vai ser em vão
  Que
fiz tantos planos de me enganar
  Como fiz enganos de me encontrar
  Como fiz estradas de me perder ...”

 (Chico Buarque e Tom Jobim)



- Postado por: Cris ® às 00h13
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Aquele vazio de um nada

Aquele desejo quase sem máscara

Aquele arrepio por dentro

Aquele quase de um instante que insiste

Aquela quase-saudade que fica

Quando o balanço impreciso das horas

No movimento indeciso dos dias

No encaixe quase perfeito do tempo

Quase permite o momento voltar

Hora em que ela quase sente falta

daquela quase-história de amar...

 

(Cris...)

 



- Postado por: Cris ® às 09h54
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